Hoje novamente um parente me falou que meu pai brada aos quatro ventos o quanto tem orgulho de mim, já ouvi de outros e até dele mesmo alguma vez. Então fiquei me perguntando, do que ele tem orgulho? Meu pai sequer me conhece, duvido que ele saiba quantos anos eu tenho, que meu cabelo já está ficando branco, que ele conheça meu sotaque ou saiba a cor dos meus olhos. Talvez se eu passasse na rua, ele nem me conhecesse.
Meu pai não sabe os perrengues que passei para chegar aqui, nem como eu fiz para me virar quando tinha três empregos que não pagavam quase nada e ainda estudava. Ele não sabe que eu já fui vendedora de cartões para uma ONG, ou de cartões de crédito, ele não sabe da minha passagem por um restaurante no shopping Tambiá, nem de quando fui monitora escolar numa comunidade em Bayeux e tinha que pegar alternativo (um deles, o motorista prendendo o cinto no freio de mão) ou quando fui recenseadora nas proximidades do presídio do Roger.
Meu pai sequer ligou para me parabenizar quando passei no vestibular, ou quando me formei, mas se orgulha em dizer que tem uma filha jornalista.
Meu pai não teve um centavo de participação no meu apê, mas espalhou para todos que tinha comprado um para mim quando eu ainda era adolescente. Aliás, ele sempre foi mestre em aparecer de vez em quando (de vez em quando mesmo), oferecendo mundos e fundos e não cumprindo nada.
Meu pai não tem motivos para se orgulhar, ele nem conversa comigo para saber como está minha vida. Não sabe nem qual o dia do meu aniversário. E a única coisa que me agrada em relação a ele, é desmentir todas as coisas que ele diz para os parentes, ainda assim pela total falta de consciência dele, por parecer que não há o mínimo problema de ser pego na mentira, isso não faz nem sentido. Não tem porque meu pai se orgulhar de mim, porque ele simplesmente não sabe quem eu sou!
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Um agosto qualquer
Devaneado por: Marília Domingues às 20:42Palavrinhas Coisas que irritam, estado de espírito, Família, reflexão, sentimentos
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Aquela utópica
Devaneado por: Marília Domingues às 17:19Às vezes eu sinto um grande aperto no peito, olho as coisas que acontecem ao meu redor e parece que o mundo nunca vai mudar, que estamos para sempre presos nesse estilo de vida hipócrita e mesquinho. Sinto esse incômodo dentro de mim por perceber que cada dia mais estou sozinha com meus ideais e que é tão difícil dar o primeiro passo. Me chamam de utópica por ter ainda esperança de dias melhores, de fazer a diferença. Me chamam de radical por eu não aceitar esses assassinatos diários, por não me conformar que a cidade é violenta, por reclamar que as pessoas fazem campanhas em redes sociais, mas na vida real NADA.
Às vezes esse aperto no peito tenta me sufocar, sobe um grito e fica preso na garganta. Quero fazer alguma coisa que mude o mundo em todos os sentidos em que ele é falho. Quero que as pessoas digam bom dia, por favor, obrigado, que sorriam para estranhos na rua. Quero que as pessoas vivam bem com o que conseguem com o suor do seu trabalho e que os ricos não tornem a vida dos pobres tão difícil apenas para garantir futilidades. Quero igualdade social para homens e mulheres, negros e brancos, ricos e pobres, heterossexuais e homossexuais. Quero que esses fatores deixem de ser algo tão relevante e motivo para exclusão social.
Muitas pessoas acreditam que vou ser mais uma a ficar só no discurso, mas não veem que eu ja comecei a me mexer. Não vendo meu voto, não me iludo com promessas falsas de políticos, me informo sobre o meu país (e é uma vergonha atrás da outra, mas ao menos eu sei o que acontece) e uso a que por enquanto é minha única arma contra tudo de errado que acontece. O voto. Não, meu voto não vai salvar o mundo, mas posso tentar ao menos mudar a cidade em que eu vivo.
Não, eu não tenho como acabar com a fome na África, com a guerra no Oriente Médio, com a péssima qualidade de vida e exploração de trabalhadores na China. Mas eu posso tentar acabar com a roubalheira na minha cidade (minha sim, porque aqui nasci e aqui agora vivo), proporcionar uma melhor qualidade de vida, procurar métodos de conviver com a seca no Nordeste, um dia acabar com a corrupção no Brasil. Por enquanto são apenas sonhos, mas deixo minha utopia ir longe, talvez se mais pessoas fizessem o mesmo nós viveríamos num lugar melhor. E melhor não só para mim, ou para um e outro, melhor para todos.
Aquela revoltada com o preconceito
Devaneado por: Marília Domingues às 17:14Reflexão feita em 27 de outubro de 2012 a respeito do Apagão no Nordeste
"O Nordeste me seduz... de dia falta água e de noite falta luz"... é a 'brincadeira' do momento, zuar o apagão e a seca no Nordeste.
Todo o nordeste é desse jeito. Afinal, não temos um dos maiores pólos tecnológicos do país em Campina Grande na Paraíba. Não temos Rios e cachoeiras porque aqui tudo é sertão, não existe litoral com praias paradisíacas.
Não estou agora no facebook pq não tenho energia em casa e ainda ando de jumento para não ir a uma faculdade onde eu não estou me formando em jornalismo porque eu não sei ler!
Tenho os dentes estragados e minha pele é queimada do sol porque eu não sei o que é ir ao dentista ou protetor solar, meus pés são encardidos de andar descalça. Eu uso roupas sujas e mal lavadas num rio porque elameado e nunca vi uma máquina de lavar em casa... ¬¬'
Detesto essas generalizações por causa de uma porcaria de apagão que durou 4 míseras horas... como se nunca tivesse acontecido o mesmo no sul e sudeste. Sul também tem seca, ou será que eu imaginei isso numa matéria que passou na tv que eu não assisti porque aqui não tem luz?
Palavrinhas Crítica, Desejos, estado de espírito, Informação, Jornalismo, reflexão
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Café com Pão de Queijo
Devaneado por: Marília Domingues às 19:26_Não sou feliz o dia todo, mas tento ser feliz todos os dias... _ Ela disse me levando de volta a alguns devaneios que tive semana passada sobre como nos obrigamos a parecer bem para os outros. Como essa cultura da felicidade das redes sociais nos afeta a tal ponto de que fingir ser feliz é mais importante que sofrer autenticamente.
_Eu não tento. Se tentar no dia que não conseguir ficaria frustrada, prefiro não esperar nada. Faz meses que não espero nada. O máximo que esperei foi que meu pão de queijo não queimasse e eu acertasse o ponto do café.
_Seu café é bom?
_Não.
Palavrinhas estado de espírito, palavras, reflexão, sentimentos
quinta-feira, 28 de abril de 2011
...
Devaneado por: Marília Domingues às 00:00E o ônibus passa apressado, desviando de pessoas que você já encontrou, já esbarrou ou talvez nunca viu. Sentado ao seu lado está alguém que pega o mesmo ônibus que você, todos os dias, no mesmo horário e ninguém percebeu. O cobrador poderia ser seu amigo, seu vizinho ou somente o cara que te ensinou o ponto errado na hora de descer.
Pessoas, são só mais um atrapalho se enfileirando nos caixas, nas lojas, na porta do ônibus que você sobe ou desce, obstruindo o caminho e mesmo em meio a tanta gente você se sente só. Não faz parte da multidão. Afinal, uma multidão é uma multidão, eles lá e você aqui, a multidão não se abre para você passar, mas você vê a trilha imaginária fluindo entre a massa homogênia de braços, pernas e cabelos. A multidão não tem olhos e nem boca, ninguém vê ou diz nada, são cegos, surdos e mudos e só você é diferente, você é um EU, um ponto jogado a esmo num conjunto de outras coisas.
Atropelando pensamentos com os passos apressados na rua esburacada e trombando com mendigos invisíveis. Os sons são de tal forma filtrados que nada é ouvido. O caminhar vira uma perambulação, como se tivesse um imã onde você quer chegar e quando percebe já está lá. O caminho é simplesmente esquecido, despercebido.
Quase nunca você para. Estuda, trabalha, assiste TV, ouve música, joga conversa fora, namora, dorme, anda de ônibus. E a vida vai passando, durante esse percurso ninguém sente o vento, percebe o sol, observa as estrelas no céu, ninguém sorri para você na rua, ninguém ajuda um idoso a atravessar, ninguém diz bom dia, ninguém te enxerga.
E no ônibus, enquanto a cidade passa por você, mil problemas rondam sua mente, onde deveria estar, o que deveria estar fazendo, o barulho dos carros abafa o canto dos pássaros, a viagem torna-se apenas chegada, o caminho é empecilho, atrapalho.
Não somos humanos, somos coisas vagando de um lado para outro, procurando papéis encardidos para por um pouco de comida no prato. Somos todos feitos de desejos efêmeros e você corre atrás da felicidade como se ela fosse algo que pudesse ser alcançada.. como se a felicidade fosse palpável, como se fosse uma coisa pronta, como um macarrão instantâneo...
No ônibus, na calçada, em casa, na vida... talvez tenha chegado a hora de esquecer toda a maluquice, toda a pressa, todo o corre-corre e se questionar o porquê de tudo isso. Talvez tenha chegado a hora em que a multidão virará pessoas de verdade com suas diferenças e semelhanças e que você fará parte dela. Talvez tenha chegado a hora em que você precise apenas se deixar sentir.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Coisas que nos irritam
Devaneado por: Marília Domingues às 23:44E na era dos Vlogs invento de fazer um podcast. Ok que não é lá um podcast com músicas e talz, é só Naiara e eu falando besteira no headphone (desculpem minha voz de boy doido da torre). Foi quase nada editado e tem o som chato de fogos ao fundo, mas foi o primeiro e merece desconto!
Então... Naiara e Marília e as coisas que nos irritam
Este podcast também estará no blog da Naiara http://beijopalhaco.blogspot.com/
Sugestões, críticas, acho difícil, mas elogios também deixe seu comentário!
Palavrinhas Besteirinhas, estado de espírito, Podcast
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Tempo
Devaneado por: Marília Domingues às 14:24Faz tempo que não me sinto feliz
mas faz tempo também que tento aprender a ver a vida com outros olhos
Faz tempo que observo a lua
Que paro para ver um gatinho brincando
Faz tempo que me esqueço do tempo por alguns instantes
Faz tempo que volto a recordar que o tempo passa mesmo que eu não queira
Faz tempo que não sinto uma onda de calor a percorrer todo o meu corpo quando ouço uma voz
Faz tempo que não sinto um arrepio na pele ao sentir um toque
Faz tempo... faz tanto tempo que nem lembro mais como é
Faz tempo que tento ser outra pessoa
Faz tempo que as pessoas acham que eu tenho transtorno bipolar
Faz tempo que não consigo fingir ser quem não sou por muito tempo
Faz tempo que tento mostrar algo que não sinto
Faz tempo que sucumbo ao que sou.
Palavrinhas Besteirinhas, confusão, estado de espírito
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
"Escondendo a dor entre sorrisos
Tento perder a angústia na fumaça
Deixar tudo onde é esquecido
Onde o barulho a tudo disfarça"
Palavrinhas Besteirinhas, estado de espírito
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Sabe o que eu queria?
Devaneado por: Marília Domingues às 22:23Queria que amanhã fosse feriado, que o dia fosse ensolarado e que o mar estivesse calmo.
Tomar uma água de coco, jogar bola com os amigos, andar de bicicleta.
Tomar sorvete de morango com calda de morango, pedaços de morango e crocante de morango.
Ouvir música o mais alto possível, rir até não poder mais.
Tocar violão, fazer um poema de amor...
Queria assistir um filme, ler um livro, não fazer nada.
Esquecer meu relógio, sair sem rumo, cumprimentar as pessoas que eu não conheço na rua.
Esquecer que já fui triste...
Brincar com meus gatos, tirar muitas fotos, sorrir sem razão.
Cantar minha música favorita...
Queria dançar uma ciranda, deitar na areia..
Olhar as estrelas, admirar a lua, sentir o cheiro das rosas...
Abraçar minha mãe, beijar meu amor
Queria a simplicidade das coisas...
Queria isso amanhã...
Palavrinhas Desejos, estado de espírito
sábado, 10 de outubro de 2009
Alquimista
Devaneado por: Marília Domingues às 08:56
Sou apenas uma alquimista tentando transformar Ouro em Chumbo.
Palavrinhas confusão, estado de espírito, sentimentos
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Eu escrevia
Devaneado por: Marília Domingues às 17:13Palavrinhas estado de espírito, palavras, reflexão
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Reflexões de uma sóbria 2 (sobre o amor e outros desastres)
Devaneado por: Marília Domingues às 02:18Minha boca agora é de outro, de outros
Palavrinhas Amor, estado de espírito, palavras, Reflexões de uma sóbria
Reflexões de uma sóbria
Devaneado por: Marília Domingues às 01:41Será possível mesmo parar de sentir? Tornar-se completamente racional, analisar todas as possibilidades de erro antes de tomar uma decisão, pensar em cada palavra antes de falar, encher o mundo de silêncios? Talvez não, mas estou tentando.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Errado
Devaneado por: Marília Domingues às 01:49Fiz o blog para postar apenas coisas minhas, mas já coloquei fotos que não são (até porque agora tô sem celular e não tenho mais como tirar), e essa música tem tudo a ver com o momento que eu estou passando...
Depeche Mode
Composição: Martin L. Gore
I was born with the wrong sign
In the wrong house
With the wrong ascendancy
I took the wrong road
That led to the wrong tendencies
I was in the wrong place at the wrong time
For the wrong reason and the wrong rhyme
On the wrong day of the wrong week
I used the wrong method with the wrong technique
Wrong
Wrong
There's something wrong with me
Cannot be something wrong with me
Inherently
The wrong mix in the wrong jeans
I reached the wrong ends by the wrong means
It was the wrong plan
In the wrong hands
With the wrong theory for the wrong man
The wrong lies, on the wrong vibes
The wrong questions with the wrong replies
Wrong
Wrong
I was marching to the wrong drum
With the wrong scum
Pissing out the wrong energy
Using all the wrong lines
And the wrong signs
With the wrong intensity
I was on the wrong page of the wrong book
With the wrong rendition of the wrong hook
Made the wrong move, every wrong night
With the wrong tune played till it sounded right yah
Wrong
Wrong
Too long
Wrong
I was born with the wrong sign
In the wrong house
With the wrong ascendancy
I took the wrong road
That led to the wrong tendencies
I was in the wrong place at the wrong time
For the wrong reason and the wrong rhyme
On the wrong day of the wrong week
I used the wrong method with the wrong technique
Wrong
Wrong (errado)
Eu nasci com o signo errado Na casa errada
Com a ascendência errada
Eu peguei o caminho errado
O que levou a tendências erradas
Eu estava no lugar errado na hora errada
Pelo motivo errado e a rima errada
No dia errado da semana errada
Eu usei o método errado com a técnica errada
Errado
Errado
Há algo errado comigo
Não pode ser algo de errado comigo
Inerentemente
A minstura errada nos genes errados
Eu alcancei os fins errados pelos meios errados
Foi o plano errado
Nas mãos erradas
Com a teoria errado para o homem errado
As mentiras erradas, nos sentimentos errados
As questões erradas com as respostas erradas
Errado
Errado
Eu estava marchando para o tambor errado
Com a escória errada
Extravasando a energia errada
Utilizando todas as linhas erradas
E os sinais errados
Com a intensidade errada
Eu estava na página errada do livro errado
A opinião errada do gancho errado
Fiz a jogada errada, toda noite errada
Com a música tocada errada até que soe certa yah
Errado
Errado
Longo demais
Errado
Nasci com o signo errado
Na casa errada
Com a ascendência errada
Eu peguei o caminho errado
O que levou a tendências erradas
Eu estava no lugar errado na hora errada
Pelo motivo errado e a rima errada
No dia errado da semana errada
Eu usei o método errado com a técnica errada
Errado
Palavrinhas Besteirinhas, estado de espírito
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Vazio
Devaneado por: Marília Domingues às 20:04Às vezes a chuva traz paz, outras vezes tristeza...
Às vezes apenas acentua o que estamos sentindo, vem o frio e a vontade de ficar abraçada com quem a gente ama... somente os dois na cama...
Pensando nisso, quando fui dormir, já de madrugada... agoniada, querendo escrever... saiu meio sem querer, tava escuro e não parei para ler, mas foi isso o que a chuva trouxe:
A cama estava vazia quando deitei
Palavrinhas confusão, estado de espírito, sentimentos, solidão
segunda-feira, 23 de março de 2009
Falando de amor
Devaneado por: Marília Domingues às 00:43Marília Domingues 20 mar 2009 21:21
Palavrinhas estado de espírito, reflexão
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
INSTANTES
Devaneado por: Marília Domingues às 21:59E viajo por caminhos por mim desconhecidos
Preencho-me de incerteza e me instalo num deserto
Isolo-me, cercada de dúvidas e não vejo um destino certo.
Perco-me por entre segundos mal contados
Prendo-me às horas passadas.
Desprendo-me do meu eu e me apego ao inefável
Troco-me por um sentimento intocável
Passo-me nos instantes que perdi,
Perco os instantes que me passei e nem senti
Finjo que não vejo o tempo que continua a passar
Prendo-me a uma liberdade fictícia
Solto-me na prisão que fantasiei na minha mente
De que vale a vontade – se na realidade – tudo é ilusão?
Perco-me num segundo que passa
No tempo que não volta
Procuro-me nos instantes que virão
Reviro-me inteira, viro do avesso, tento me encontrar,
E se me acho não me reconheço
Passo-me e não percebo
Se eu luto, perco. Então desisto,
E não resisto – instantes de confusão.
Marília 09/09/07 11:40 hs
Palavrinhas estado de espírito









