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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Sobre rever esperanças



Hoje eu estava fazendo uma limpeza online. A microsoft liberou o Windows 10 e eu estava meio que preparando o território para ele, mesmo sem precisar. Então no meio dos documentos eu pude perceber como o país retrocedeu enormemente em pouco mais de dois anos.

Uma das coisas que encontrei nessa 'faxina' online foi uma gravação da apresentação do meu TCC - escrevi uma grande reportagem sobre homossexualidade e religião - e percebi como o panorama da época parecia outro.

Naquela época já tínhamos um tímido Bolsonaro, mas Malafaia e Feliciano eram vozes quase solitárias e não tínhamos a ameaça real do Cunha, o tal todo poderoso da Câmara dos deputados.

No trabalho eu ouvi homossexuais e pais de homossexuais, além de autoridades religiosas. Dos gays, apenas um era ateu e outra não tinha religião definida apesar de se considerar cristã. Tinha depoimentos de homossexuais católicos e também espíritas. E nas conversas com o Padre e o pastor as coisas apesar de difíceis parecia haver uma esperança, um fio de tolerância no fundo de tudo isso.

As minhas considerações finais à época apontavam isso, apesar de agora enxergar que talvez o erro tenha sido meu, em não ter me esforçado mais em procurar homossexuais evangélicos (será que eles simplesmente não existem? ou a igreja já ali os cobria com seu véu de hipocrisia?).

Em dois anos a conjuntura do país mudou completamente. Passamos para uma teocracia disfarçada, reguladores da vida amorosa dos outros, uma obrigatoriedade de seguir cegamente as orientações de pastores que fazem tudo menos seguir o que a Bíblia diz.

A sociedade parecia querer se abrir, tolerar, mas hoje em dia é como se vivêssemos em estado de sítio todo o tempo. Casos de estupro e sequestro estão se tornando rotina, praticados por uma sociedade machista que acha que tem direito sobre o corpo das mulheres, que as diminui, humilha e mata.

Esta mesma sociedade também tornou-se ainda mais racista, após esses mesmos 'representantes de deus' se colocarem a favor da redução da maioridade penal, do 'bandido bom é bandido morto' e do 'atira no negro primeiro, depois pergunta se tem ligação com o crime'.

E uma sociedade onde um casal gay dar as mãos em público é uma afronta, mas pregar ódio é apenas opinião. Uma sociedade que nos expõe e crucifica os diferentes.

Como as coisas mudaram. Como de repente todo o fio de esperança se esvaiu e tudo parece tão difícil. Lembro de uma entrevista da atriz Marieta Severo na Folha de São Paulo, onde ela se abismou pelo fato de que direitos já conquistados podem ser tomados das pessoas. Como podemos retroceder tanto em pleno século XXI.

Se eu estivesse escrevendo aquele texto hoje, com certeza a conclusão seria outra. Hoje não vejo mais esperança no futuro, mas sinto medo do fundamentalismo. Sinto-me impotente diante do cenário nacional e dos monstros no Congresso, da Assembleia, dos gestores, do desconhecido misógino e homofóbico.

Assim como todo o resto da população, principalmente de cidades violentas, como João Pessoa vem se tornando, tenho medo de ser assaltada também, de sofrer um acidente neste trânsito louco e isso não minimiza meus outros medos, apenas potencializa.

A onda fundamentalista saiu dos pequenos lugares e invadiu nossas casas, com nossos pais condenando uma novela por ter um casal de idosas gays. Transformando a vida dos outros num inferno ao tentar impor uma religião forçadamente e tolhendo nossa liberdade em nome de uma moral que sinceramente eu nunca vi, tampouco bons costumes. Talvez eu reescreva algo.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Aquela que se posiciona nas eleições ou revoltada com a massa que não sabe votar

Estou de saco cheio desses escândalos envolvendo políticos. Agora é que não voto mesmo no segundo turno, nem aquele voto de medo do Brasil ser dominado por uma evangélica-homofóbica-que-muda-de-opinião-mais-do-que-de-roupa. Reclamo tanto da corrupção que não vou me dar ao luxo de ir contra meus princípios por medo. Não votarei em Dilma, nem em Marina, muito menos em Aécio. Estou em dúvida ainda entre Eduardo Jorge e Luciana Genro no primeiro turno. 

Para deputado também, tem um monte aí parasitando a Câmara Federal e a Assembléia Legislativa sem dar uma gota de contribuição à população a não ser se vender para quem pagar mais. 

Vou votar em Seu Ciço para estadual e em Renan Palmeira para federal. Senador ainda não me decidi, mas também ha candidatos que já tiveram chances e chances e nunca mostraram para que vieram, além de um acusado de plagio de projeto. 

Para governador meu voto vai para Tarcio Teixeira, apesar do medo do candidato Casse-o ser eleito em primeiro turno. Vou dar meu voto utópico sim, por uma Paraíba muito melhor, apesar de admitir que Ricardo tem sido um governador em infinitos aspectos melhor que Cássio e que talvez eu possa votar nele num segundo turno. 

Não digo que minhas escolhas são perfeitas ou certas, mas não voto de cabresto. Ninguém está me obrigando ou pedindo, estou analisando os projetos e a forma como lidam com questões que me afetam pessoalmente, que afetam a população brasileira de forma positiva. Não vote por que candidato A é bonito ou porque o pastor ou o padre mandou, ou ainda por medo de perder benefícios como o bolsa família porque nenhum governante vai extingui-lo (talvez o pastor Everaldo). 

Vote com convicção, acreditando que o candidato será o melhor para a nação ou para o estado e não apenas para a própria família ou um grupo de pessoas (geralmente a classe alta e empresários). Escolha com consciência porque a única arma que temos contra a corrupção e para melhorar o nosso país é o voto.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Sobre ninguém nascer gay e a ignorância disfarçada de informação


O texto abaixo refere-se ao texto do Blog do Felipe Moura, na revista VEJA, do dia 02/06/2014:


“Ninguém nasce ‘gay’, nem ‘sai do armário’” – Os perigos da propaganda homossexual na mídia conservadora


Fiquei tentando imaginar o que passa pela sua cabeça, caro colega. Vê-se logo que não tem a mínima vivência do assunto (outros diriam que se tem, é enrustidez - gostei dessa nova palavra). 

Citar escola de Frankfurt não te dá base alguma para falar de sexualidade, afinal, vc está tratando como teoria da comunicação um comportamento inerente ao ser humano: a atração sexual. Claro que vc acha fácil culpar a mídia manipuladora, afinal, para escrever para a VEJA vc entende bem o significado dessa palavra. Contudo, discordo quando vc cita a questão do politicamente correto, já que não é só politicamente, mas CORRETO, respeitar as pessoas. 

Respeito sua opinião, apesar de me doer no coração ler tais impropérios para uma massa já direcionada que tem como fonte de informação este referido veículo. Quero falar principalmente da questão da homossexualidade, onde você expõe que ninguém nasce gay ou sai do armário, quero crer que vc estava sob efeito de alguma substância alucinógena quando escreveu tais coisas, já que uma mente em sã consciência e com o mínimo de formação crítica, jamais articularia tais absurdos no ano da graça do nosso senhor jesus cristo, 2014.

Acho que cheguei no ponto. Se fala em destruir a família, mas as únicas famílias que vejo (tentarem) ser impedidas de ter uma vida saudável são de homossexuais. Falam das crianças, mas não se vê as milhares abandonadas por pais héteros, falam em depravação, mas talvez nunca tenham experimentado em suas vivências heterossexuais, apenas sexuais, amor mais verdadeiro. 

Já vivemos em um país subdesenvolvido demais, onde jovens (sim, homossexuais são crianças e adolescentes também) sofrem cada dia mais com o preconceito dentro da própria casa, por pura falta de empatia, desses que são defensores da família. 

Mas vivemos num país laico (pelo menos no papel) o que não impõe que a religião cristã deve servir de base para a sociedade. E o único lugar que condena (há controvérsias) a homossexualidade é a bíblia. Fora isso, nada! Vc pode até citar a constituição que fala homem e mulher e eu não posso rebater que ela é arcaica por ser de 1988, pois vc me treplicaria citando a dos EUA que é a primeira do país ainda. Contudo, algo que vc não deve ter atentado é que em inglês só existe um artigo definido 'The' que serve tanto para 'o', quanto para 'a'. Em português não temos essa liberdade linguística. 

E claro que em 1988 existiam homossexuais, na Grécia antiga existiam homossexuais, na idade da pedra, em todos os tempos e lugares. Entretanto, nunca vivemos em uma era de informação como esta. Onde, infelizmente, artigos como este seu, caro colega, estão disponíveis para uma massa acéfala que acredita em tudo o que lê. Não quer dizer que a população gay aumentou, eles só estão 'saindo do armário' é isso o que essa expressão significa: se mostrar, deixar de se esconder, se assumir, para si e para o mundo. Se permitir ser feliz assim como se é e não tentar mudar baseado nas ideias retrógradas dos outros que fazem parte do outro grupo. 

É muito fácil para um homem, branco, rico, heterossexual, do centro-sul do país, criticar o feminismo, a pobreza, a homossexualidade e os nordestinos. Na época do politicamente correto, vc não pode fazer isso, não é mesmo? Então a culpa é da mídia que vc não pode ser preconceituoso à vontade. Estão tirando o seu direito de tirar o direito dos outros. Gays não querem impedir que heteros se casem, nem que adotem crianças ou que andem de mãos dadas pela rua. Gays não querem obrigar heteros a serem gays, mas os heteros sempre quiseram e continuam querendo 'transformar' gays. Mulheres não querem obrigar que os homens andem com camisa por medo de serem estuprados, pobres não querem que vc deixe de ter o que tem, mas a partir, da classe média, um sem número de pessoas querem impedir que as classes menos favorecidas ascendam, afinal, onde já se viu pobre chegar à universidade? onde já se viu pobre querer ser alguém? mas é muito fácil reclamar quando eles roubam, sendo que vcs mesmos quem tiram as outras opções. Os nordestinos não ridicularizam o povo do centro-sul, apesar de ter sido a nação nordestina a construir (praticamente) São Paulo e literalmente Brasília. 

Por isso, meu caro, colega jornalista. Citar escolas literárias deixa seu texto muito bonito, mas fico imaginando a falta do que fazer que foi procurar argumentos 'científicos' para condenar pessoas que só querem ser felizes da maneira como são. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Somos Todos Culpados

Quero deixar o Brasil. Chegou um ponto em que não acredito mais ser capaz de fazer nada para mudar aqui. Que me sinto pequena, que sinto que os que querem fazer algo concreto não passam de gatos pingados e que tudo só vai piorar.
Estou cansada de todos colocarem a culpa em fulano ou beltrano e não se conscientizar de sua própria culpa. Somos todos culpados. De não saber votar, de se contentar com migalhas, de se fazer de coitados... Todos somos corruptíveis e cada dia que passa 'pessoas de bem' viram exceções.
O jeitinho brasileiro é uma total falta de respeito com seu próprio povo. Pregamos que é inteligente ser malandro. Jogamos nossa cultura no lixo, onde nossa humanidade jaz também há algum tempo. Deixamos de ser humanos, deixamos de nos importar com os outros.
Conforme a classe média avança, queremos que os pobres morram para deixar de ser um empecilho ao desenvolvimento do país. Desenvolvimento... desenvolver o que? Somos uma grande nação aos olhos de quem? Poder econômico nas mãos de poucos enquanto a grande massa paga por regalias absurdas dos outros. Somos uma grande nação erguida as custas de altos impostos e pouco retorno.
Somos um bando de alienados que acha que patriotismo é torcer para a seleção brasileira de futebol. Somos ignorantes e estúpidos e só sabemos consumir e consumir. Jogamos nossas frustrações na mídia, culpamos a Dilma, acreditamos que o problema começou agora...
Como ficamos tão inertes? Como esse sentimento de impotência atingiu tantas pessoas? Culpamos todos, mas não olhamos para nós mesmos, não movemos um dedo para melhorar o que quer que seja, acreditamos que não é da nossa conta.
Em quem você votou para deputado na eleição passada? e senador? o que esses políticos fizeram em quatro anos de mandato? Por que você não conversa sobre política com seus amigos? Por que não se informa para ter opiniões embasadas? Por que continuamos cometendo o mesmo erro de novo, e de novo e de novo?
A culpa é toda nossa! Nós os colocamos lá, nós fizemos toda essa merda acontecer. Falam do analfabetismo, mas o pior de tudo é o analfabetismo funcional. Não falo só das pessoas que só sabem ler e assinar o nome, falo também dos universitários, que tem teoria, que passam quatro, cinco anos numa instituição e saem mais vazios que quando entraram. Se não dá para começar de baixo, que é onde o governo deveria investir, por que não começamos por nós? Porque ninguém quer dar a cara a tapa e admitir que não sabe de nada. Ninguém quer começar do zero. Todos somos muito sabidos, 'jeitinho brasileiro', lembra?
Então, a solução que encontro é me juntar a essa massa. se não pode vencê-los... Mas eu me recuso a fechar os olhos e achar que está tudo bem. Me recuso a apenas fazer reclamações vazias e genéricas. Tento convencer as pessoas a fazerem o que é certo e sou chamada de utópica, então fico triste, vou percebendo que cada dia menos pessoas tem o desejo de realmente mudar alguma coisa. E que na primeira oportunidade que tiverem de usar o 'jeitinho brasileiro' assim o farão. Por isso quero sair deste país, me sinto em um caldeirão fervendo a ponto de explodir e não posso fazer nada para impedir.
Também sou culpada, assumo a culpa, mas consciente disso ao menos.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Aquela revoltada com a cura gay



Texto de 27 de junho de 2012

Como se já não fosse problema suficiente uma família que não apoia e a sociedade homofóbica... no lugar de naturalizar as coisas, a bancada evangélica tem essa mania de querer atrasar o país... investigar a igreja ninguém quer né?

Um projeto desses sendo aceito, além de regredir, vai aumentar o sofrimento dos jovens homossexuais, aqueles que vivem com os pais, eles vão passar por sessões intermináveis para tentar se livrar de uma coisa que é intrínseca a eles...

Curar um gay é igual pintar o cabelo, ou usar uma lente de contato. Não vai mudar a cor natural, apenas disfarçar, é fingimento e sofrimento.

O Brasil precisa pensar em quem coloca no poder, tantas pessoas morrendo de fome, tanta corrupção e injustiça e os deputados pensando se ser homossexual é doença ou não, mesmo que esteja cientificamente comprovado que NÃO É. O Estado precisa parar de usar colocações bíblicas para justificar essa ou aquela lei.

Se tem pessoas que acreditam que ser gay é pecado, tudo bem, é direito de cada um acreditar no que quiser, mas de pecado para doença é uma grande diferença. E o que o povo pode fazer? ou melhor, o que o povo vai fazer? Nada!

Parem de usar deus para justificar tudo, parem de se esconder atrás de religiões, parem de criar leis e projetos inúteis e lutem por mais educação, saúde e segurança. É disso que o país precisa. 


http://paraiba.com.br/2012/06/27/46794-camara-discute-amanha-projeto-que-quer-instituir-a-cura-gay

Aquela revoltada com o preconceito

Reflexão feita em 27 de outubro de 2012 a respeito do Apagão no Nordeste

"O Nordeste me seduz... de dia falta água e de noite falta luz"... é a 'brincadeira' do momento, zuar o apagão e a seca no Nordeste. 

Todo o nordeste é desse jeito. Afinal, não temos um dos maiores pólos tecnológicos do país em Campina Grande na Paraíba. Não temos Rios e cachoeiras porque aqui tudo é sertão, não existe litoral com praias paradisíacas.

Não estou agora no facebook pq não tenho energia em casa e ainda ando de jumento para não ir a uma faculdade onde eu não estou me formando em jornalismo porque eu não sei ler! 

Tenho os dentes estragados e minha pele é queimada do sol porque eu não sei o que é ir ao dentista ou protetor solar, meus pés são encardidos de andar descalça. Eu uso roupas sujas e mal lavadas num rio porque elameado e nunca vi uma máquina de lavar em casa... ¬¬'

Detesto essas generalizações por causa de uma porcaria de apagão que durou 4 míseras horas... como se nunca tivesse acontecido o mesmo no sul e sudeste. Sul também tem seca, ou será que eu imaginei isso numa matéria que passou na tv que eu não assisti porque aqui não tem luz?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

#EuSouGay 3 (Somos muitos universos)




 Clique aqui para ver o tumblr oficial.

Vídeo do projeto #EusouGay... não apareceu nenhuma foto das que eu mandei, mas de que isso importa? rsrs. O que vale é a iniciativa. Ficou lindo!! A música é belíssima, as imagens também, a criatividade das pessoas... inigualável. Quero a música em mp3! 

Copie, curta no Facebook, Retweet no twitter, adicione no orkut, reblog no tumbrl, mande pra todo mundo do seu email, comente no msn, poste no blog... vamos estar juntos em todos os lugares, vamos encher as redes sociais  e conscientizar as pessoas. Vamos ignorar as diferenças e passar a ver o que cada um é por dentro. De que importa a cor da pelo, o sexo, o nível financeiro, a orientação sexual de alguém, quando nenhum desses fatores moldam o caráter? É preciso enxergar as pessoas mais profundamente. Ultrapassar a barreira do preconceito e ver que todos, no fundo, somos iguais. Somos humanos!

Vamos dizer um uníssono: #EuSouGay