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quinta-feira, 22 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher


Não recebi flores, mas alguma família recebeu uma coroa delas

Os números não mentem.
são uma, duas, 43 mulheres assassinadas
Mulheres subjugadas
ganhando pouco e trabalhando dobrado
cuidando da casa, dos filhos e ajudando o marido
cuidando da casa e sustentando os filhos ameaçada pelo ex-marido
sustentando a casa e chorando a morte dos filhos perdido para a violência
suportando

Internacional
Mulheres mutiladas
sem direito a sentir prazer
sem direito de escolha sobre ter ou não ter um filho
estupradas...


Apenas pensamos
'é assim mesmo'
não ganhei uma flor
não sou frágil,
não tenho menos capacidade

Alguma família recebeu uma coroa de flores
para ornamentar o túmulo recém coberto
A sociedade levou mais uma


Dê uma flor, um chocolate
e toda a barbárie sofrida através da história será esquecida
é só mais uma data comercial
Todo o simbolismo foi perdido
jogado fora
Não se fazem mais mulheres com coragem de queimar os sutiãs em praça pública

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Flores

Sou autodestrutivamente indestrutível. O tempo passa, as pessoas mudam, as coisas acontecem e eu não paro de cometer os mesmos erros, tudo isso gerado pelo meu senso autodestrutível. Tento me desconstruir, me reinventar a cada nova relação. Tento não me doar, guardar alguma parte de mim onde só eu encontre para que quando as pessoas partirem não levem tudo.

É como um campo de flores, que eu planto as sementes de esperança e rego com minhas lágrimas, no começo demora para elas crescerem, mas depois nascem os brotos e as lágrimas cessam e o campo se enche de lindas flores e porque não dividi-las entre várias pessoas como é o comum a se fazer (afinal num mundo de tantas oportunidades, entregar um campo de flores a um único jardineiro é desperdício de tempo), porém eu entrego, não de mão beijada, mas aos pouquinhos apenas para uma pessoa, entrego tudo o que eu tenho de mais precioso.

E por ter mais alguém cuidando além de mim o campo de flores desabrocha e cresce e enche de alegria a todos que olham, porém chega um dia que o jardineiro se cansa talvez ou precise de flores mais coloridas, ou menos, ou precise de mais flores ou de mais campos e assim leva consigo todas as minhas. O campo fica devastado, apenas terreno seco e estéril, enxarcado de lágrimas e sem a possibilidade de crescer nada alí por um bom tempo.
Novamente planto sementes e eu deveria aprender alguma coisa com os meus erros, eu deveria não entregar tudo assim tão fácil, sem que ninguém ao menos peça. Novamente planto para mim e outros colhem.

Porque é assim que as coisas são, outra vez a vida vem me mostrar que não existe o amor romântico que eu vivo idealizando. Que não existe um eterno, apenas um "eterno enquanto dure" e sempre dura muito pouco. Porque hoje a vida não se baseia em sentimentos, mas em ações, curtir não é curtir para você é para os outros "verem" que você está curtindo e a conquista é apenas o que importa, o resto é resto.

Sou uma romântica incurável e é isso o que me faz ser autodestrutiva, o meu romantismo arrasta para a lama o meu coração com cada decepção pela qual eu passo. O meu romantismo me faz ser carente de sentimento, carente de palavras quando na verdade eu deveria (como é normal) ser carente de toque. Vou contra tudo o que é pregado contemporaneamente. Não quero "pegar" várias pessoas, muito menos quero apaixonar uma pessoa todo dia, quero que a mesma pessoa se apaixone por mim todos os dias, assim como eu faço. Como para mim pequenos gestos significam mais que grandes feitos e esses mesmos pequenos gestos as vezes  doem como facadas.
Meu campo de flores está vazio. Novamente. As que sobraram, se sobrou alguma, estão murchas ou mortas. Talvez eu não seja totalmente indestrutível porque no começo eu sempre sinto que alguma coisa em mim quebrou, quando meu campo está assim, vazio. Que eu não vou me sentir mais totalmente apaixonada, que não vou me entregar novamente por completo a ninguém e quando vejo, lá estou eu fazendo planos de um pra sempre, que sempre acaba!

I've got a feelling, a feelling deep inside, oh.. yeah, oh yeah

I've got a feelling, a feelling that i can't hide, oh, no... oh,
No


Mudaram as estações, nada mudou
mas eu sei que alguma coisa aconteceu

tá tudo assim, tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
que tudo era pra sempre sem saber que pra sempre sempre acaba

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
quando penso em alguém só penso em você
e aí, então, estamos bem
Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
nem desistir, nem tentar, agora tanto faz...
estamos indo de volta pra casa, yeah-heah...

I've got a feelling, a feelling deep inside
I've got a feelling, a feelling that i can't hide
A feelling that i can't hide
A feelling that i can't hide...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ilha das Flores

Se esperavam reflexões sobre o ano de 2010 e o que eu espero para esse novo período que se inicia, esperem o próximo post, hahaha. Até porque tenho que terminar um trabalho pra entregar amanhã e a professora pegou pesado, já achei legal falar de Nordeste e o preconceito da mídia, já me irritei e tive vontade de iniciar uma campanha de independência do Nordeste, formarmos um país e deixar que o Sudeste, Sul e seus preconceitos se explodissem igual está acontecendo lá no Rio de Janeiro, e agora eu só quero não ter que falar mais nada sobre isso, deixar esse assunto para depois, não aguento mais ler sobre "Invenção do Nordeste", "Arcaísmos e modernimos", "Visão Binária do Brasil"... Então, lendo meus emails o site porta curtas disponibilizou a função de colocar curtas no meu blog, gostei da ideia e o curta que eles me sugeriram foi Ilha das Flores que conheci quando ainda era uma fera, cursando o primeiro período de jornalismo.

Quanto à vida e ao jornalismo, ah, fica pra outra hora, por enquanto... Ilha das Flores.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Acácias



As Acácias ainda não chegaram...
Ou o fim está atrasado
Ou meu começo que insiste em andar devagar

O amarelo ainda está verde
E o chão não se cobre com um cobertor novo
Não se enfeita.

As Acácias, acho que estão cansadas
Devem estar, preguiçosas
Os olhos se voltam para as luzes que já começam a piscar

E o tapete de flores deve se espalhar logo pelo chão
Marcando o fim de mais uma estação
Logo tudo vai recomeçar

M.D.
João Pessoa, 10/12/09
00:28