Estou de saco cheio desses escândalos envolvendo políticos. Agora é que não voto mesmo no segundo turno, nem aquele voto de medo do Brasil ser dominado por uma evangélica-homofóbica-que-muda-de-opinião-mais-do-que-de-roupa. Reclamo tanto da corrupção que não vou me dar ao luxo de ir contra meus princípios por medo. Não votarei em Dilma, nem em Marina, muito menos em Aécio. Estou em dúvida ainda entre Eduardo Jorge e Luciana Genro no primeiro turno.
Para deputado também, tem um monte aí parasitando a Câmara Federal e a Assembléia Legislativa sem dar uma gota de contribuição à população a não ser se vender para quem pagar mais.
Vou votar em Seu Ciço para estadual e em Renan Palmeira para federal. Senador ainda não me decidi, mas também ha candidatos que já tiveram chances e chances e nunca mostraram para que vieram, além de um acusado de plagio de projeto.
Para governador meu voto vai para Tarcio Teixeira, apesar do medo do candidato Casse-o ser eleito em primeiro turno. Vou dar meu voto utópico sim, por uma Paraíba muito melhor, apesar de admitir que Ricardo tem sido um governador em infinitos aspectos melhor que Cássio e que talvez eu possa votar nele num segundo turno.
Não digo que minhas escolhas são perfeitas ou certas, mas não voto de cabresto. Ninguém está me obrigando ou pedindo, estou analisando os projetos e a forma como lidam com questões que me afetam pessoalmente, que afetam a população brasileira de forma positiva. Não vote por que candidato A é bonito ou porque o pastor ou o padre mandou, ou ainda por medo de perder benefícios como o bolsa família porque nenhum governante vai extingui-lo (talvez o pastor Everaldo).
Vote com convicção, acreditando que o candidato será o melhor para a nação ou para o estado e não apenas para a própria família ou um grupo de pessoas (geralmente a classe alta e empresários). Escolha com consciência porque a única arma que temos contra a corrupção e para melhorar o nosso país é o voto.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Aquela que se posiciona nas eleições ou revoltada com a massa que não sabe votar
Devaneado por: Marília Domingues às 22:25Palavrinhas Crítica, Eleições, Informação, Jornalismo, reflexão
terça-feira, 3 de junho de 2014
Sobre ninguém nascer gay e a ignorância disfarçada de informação
Devaneado por: Marília Domingues às 19:25O texto abaixo refere-se ao texto do Blog do Felipe Moura, na revista VEJA, do dia 02/06/2014:
“Ninguém nasce ‘gay’, nem ‘sai do armário’” – Os perigos da propaganda homossexual na mídia conservadora
Fiquei tentando imaginar o que passa pela sua cabeça, caro colega. Vê-se logo que não tem a mínima vivência do assunto (outros diriam que se tem, é enrustidez - gostei dessa nova palavra).
Citar escola de Frankfurt não te dá base alguma para falar de sexualidade, afinal, vc está tratando como teoria da comunicação um comportamento inerente ao ser humano: a atração sexual. Claro que vc acha fácil culpar a mídia manipuladora, afinal, para escrever para a VEJA vc entende bem o significado dessa palavra. Contudo, discordo quando vc cita a questão do politicamente correto, já que não é só politicamente, mas CORRETO, respeitar as pessoas.
Respeito sua opinião, apesar de me doer no coração ler tais impropérios para uma massa já direcionada que tem como fonte de informação este referido veículo. Quero falar principalmente da questão da homossexualidade, onde você expõe que ninguém nasce gay ou sai do armário, quero crer que vc estava sob efeito de alguma substância alucinógena quando escreveu tais coisas, já que uma mente em sã consciência e com o mínimo de formação crítica, jamais articularia tais absurdos no ano da graça do nosso senhor jesus cristo, 2014.
Acho que cheguei no ponto. Se fala em destruir a família, mas as únicas famílias que vejo (tentarem) ser impedidas de ter uma vida saudável são de homossexuais. Falam das crianças, mas não se vê as milhares abandonadas por pais héteros, falam em depravação, mas talvez nunca tenham experimentado em suas vivências heterossexuais, apenas sexuais, amor mais verdadeiro.
Já vivemos em um país subdesenvolvido demais, onde jovens (sim, homossexuais são crianças e adolescentes também) sofrem cada dia mais com o preconceito dentro da própria casa, por pura falta de empatia, desses que são defensores da família.
Mas vivemos num país laico (pelo menos no papel) o que não impõe que a religião cristã deve servir de base para a sociedade. E o único lugar que condena (há controvérsias) a homossexualidade é a bíblia. Fora isso, nada! Vc pode até citar a constituição que fala homem e mulher e eu não posso rebater que ela é arcaica por ser de 1988, pois vc me treplicaria citando a dos EUA que é a primeira do país ainda. Contudo, algo que vc não deve ter atentado é que em inglês só existe um artigo definido 'The' que serve tanto para 'o', quanto para 'a'. Em português não temos essa liberdade linguística.
E claro que em 1988 existiam homossexuais, na Grécia antiga existiam homossexuais, na idade da pedra, em todos os tempos e lugares. Entretanto, nunca vivemos em uma era de informação como esta. Onde, infelizmente, artigos como este seu, caro colega, estão disponíveis para uma massa acéfala que acredita em tudo o que lê. Não quer dizer que a população gay aumentou, eles só estão 'saindo do armário' é isso o que essa expressão significa: se mostrar, deixar de se esconder, se assumir, para si e para o mundo. Se permitir ser feliz assim como se é e não tentar mudar baseado nas ideias retrógradas dos outros que fazem parte do outro grupo.
É muito fácil para um homem, branco, rico, heterossexual, do centro-sul do país, criticar o feminismo, a pobreza, a homossexualidade e os nordestinos. Na época do politicamente correto, vc não pode fazer isso, não é mesmo? Então a culpa é da mídia que vc não pode ser preconceituoso à vontade. Estão tirando o seu direito de tirar o direito dos outros. Gays não querem impedir que heteros se casem, nem que adotem crianças ou que andem de mãos dadas pela rua. Gays não querem obrigar heteros a serem gays, mas os heteros sempre quiseram e continuam querendo 'transformar' gays. Mulheres não querem obrigar que os homens andem com camisa por medo de serem estuprados, pobres não querem que vc deixe de ter o que tem, mas a partir, da classe média, um sem número de pessoas querem impedir que as classes menos favorecidas ascendam, afinal, onde já se viu pobre chegar à universidade? onde já se viu pobre querer ser alguém? mas é muito fácil reclamar quando eles roubam, sendo que vcs mesmos quem tiram as outras opções. Os nordestinos não ridicularizam o povo do centro-sul, apesar de ter sido a nação nordestina a construir (praticamente) São Paulo e literalmente Brasília.
Por isso, meu caro, colega jornalista. Citar escolas literárias deixa seu texto muito bonito, mas fico imaginando a falta do que fazer que foi procurar argumentos 'científicos' para condenar pessoas que só querem ser felizes da maneira como são.
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sábado, 24 de maio de 2014
Praia do futuro
Devaneado por: Marília Domingues às 20:08Se você não quer ver cena de sexo gay no cinema, vá assistir outro filme, ora bolas!
O povo é ignorante em todos os sentidos viu? Além de ser homofóbico é burro que não sabe ler a porcaria de uma sinopse de filme para, pelo menos, ter uma ideia do que se passa.
Foi bem achando que 'Praia do futuro' era "uma mistura de Tropa de Elite com Elysium e que Wagner Moura seria um salva vidas linha dura que resgataria as pessoas em sua prancha igual de volta para o futuro" (descrição de Pedro Callado) aí não pode ver o machão sendo gay..
Me poupem gente, o país da pornochanchada (é assim q escreve?) vem falar de uma cena de sexo no cinema. Fosse na novela, não falava nada, mas no cinema?
Ninfomaníaca ninguém 'avisou' né? Mas todo mundo sabia que teria sexo. Azul é a cor mais quente, ninguém falou nada né? Porque nessa sociedade machista doente, lésbicas ainda são fantasia sexual desses pervertidos que acham que podem 'entrar no meio da brincadeira'. Me poupem de sua hipocrisia!
E gays são humanos viu gente? Eles beijam, abraçam e... acreditem. Fazem sexo, assim como todos nós!
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Aquela do Jornalismo da depressão
Devaneado por: Marília Domingues às 19:23Palavrinhas Aquela (e), Besteirinhas, Coisas Engraçadas, Jornalismo
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Aquela revoltada com a cura gay
Devaneado por: Marília Domingues às 17:56
Um projeto desses sendo aceito, além de regredir, vai aumentar o sofrimento dos jovens homossexuais, aqueles que vivem com os pais, eles vão passar por sessões intermináveis para tentar se livrar de uma coisa que é intrínseca a eles...
Curar um gay é igual pintar o cabelo, ou usar uma lente de contato. Não vai mudar a cor natural, apenas disfarçar, é fingimento e sofrimento.
O Brasil precisa pensar em quem coloca no poder, tantas pessoas morrendo de fome, tanta corrupção e injustiça e os deputados pensando se ser homossexual é doença ou não, mesmo que esteja cientificamente comprovado que NÃO É. O Estado precisa parar de usar colocações bíblicas para justificar essa ou aquela lei.
Se tem pessoas que acreditam que ser gay é pecado, tudo bem, é direito de cada um acreditar no que quiser, mas de pecado para doença é uma grande diferença. E o que o povo pode fazer? ou melhor, o que o povo vai fazer? Nada!
Parem de usar deus para justificar tudo, parem de se esconder atrás de religiões, parem de criar leis e projetos inúteis e lutem por mais educação, saúde e segurança. É disso que o país precisa.
http://paraiba.com.br/2012/06/27/46794-camara-discute-amanha-projeto-que-quer-instituir-a-cura-gay
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Aquela revoltada com o preconceito
Devaneado por: Marília Domingues às 17:14Reflexão feita em 27 de outubro de 2012 a respeito do Apagão no Nordeste
"O Nordeste me seduz... de dia falta água e de noite falta luz"... é a 'brincadeira' do momento, zuar o apagão e a seca no Nordeste.
Todo o nordeste é desse jeito. Afinal, não temos um dos maiores pólos tecnológicos do país em Campina Grande na Paraíba. Não temos Rios e cachoeiras porque aqui tudo é sertão, não existe litoral com praias paradisíacas.
Não estou agora no facebook pq não tenho energia em casa e ainda ando de jumento para não ir a uma faculdade onde eu não estou me formando em jornalismo porque eu não sei ler!
Tenho os dentes estragados e minha pele é queimada do sol porque eu não sei o que é ir ao dentista ou protetor solar, meus pés são encardidos de andar descalça. Eu uso roupas sujas e mal lavadas num rio porque elameado e nunca vi uma máquina de lavar em casa... ¬¬'
Detesto essas generalizações por causa de uma porcaria de apagão que durou 4 míseras horas... como se nunca tivesse acontecido o mesmo no sul e sudeste. Sul também tem seca, ou será que eu imaginei isso numa matéria que passou na tv que eu não assisti porque aqui não tem luz?
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
40 razões para casar com um jornalista
Devaneado por: Marília Domingues às 00:34Post retirado do blog: A Devina Comédia
2.São curiosos e antenados, você sempre ficará por dentro de tudo que acontece;
3.Eles não ganham bem, mas isso é bom porque vocês podem aprender a economizar dinheiro;
4.No Natal, Ano Novo, Carnaval… eles provavelmente estarão na redação. Mas, pense pelo lado positivo: antes trabalhando do que vagabundando;
5.E outra! Trabalhando muito, eles não têm tempo de se interessar por outra pessoa;
6.Eles não são bons de matemática, mal sabem somar e subtrair; mas, para que saber isso se são os mestres da escrita?;
7.Acostumados com pautas, são bem organizados e planejam bem as coisas antes de fazê-las;
8.Como é fissurado por fontes, quando você tiver uma ótima ideia, ele não vai dizer aos amigos que foi coisa da cabeça dele. Dará todas as honras para você!;
9.Como vivem numa rotina corrida, não tem muito tempo para opinar nas coisas da casa. O que você fizer, ele vai achar lindo;
10.Tudo é um grande brainstorm (tempestade de ideias). Monotonia não vai entrar na sua casa!;
11.Quando vocês brigarem, ele não vai achar que a opinião dele é a melhor. Tem que ouvir todos os lados de um fato, ele saberá analisar a situação!;
12.Em coberturas de grandes eventos, você poderá entrar de gaiato. Cada final de semana em um lugar diferente: jogos de futebol, avenida de escola de samba, lançamento de livros…;
13.Mantêm revistas e jornais no banheiro. Você nunca ficará olhando para o vácuo enquanto faz suas necessidades fisiológicas. Ganhará conhecimento!;
14.Idolatram pessoas totalmente desconhecidas (o seu Zé, a Dona Maria, o Juquinha…) Todos com ótimas histórias de vida que vocês podem usar no cotidiano também para se tornarem pessoas melhores!;
15.Não vai faltar café na sua casa. Café e jornalista são praticamente sinônimos;
16.Ele pode escrever os votos matrimoniais da sua irmã, criar o conteúdo do site de negócios do seu pai, ensinar sua mãe a tirar fotos das amigas nos eventos do bairro. Ele aprende de tudo um pouco e gosta de compartilhar!;
17. Tudo para o jornalista tem uma explicação. Eles nunca vão se contentar com a primeira versão de um fato. Você sempre terá uma resposta, mesmo que demore;
18.São ótimos investigadores. Se alguém no trabalho passar a perna em você, rapidinho ele descobre quem é!;
19.Como trabalham muito, não tem tempo para beber demais, fumar, se envolver com drogas… Você terá um companheiro saudável!;
20.Tá bom, vai… eles não costumam comer coisas muito saudáveis. Mas se você for legal e fizer comida para ele levar ao trabalho, isso se resolve rapidinho, não é? =);
21.Suas viagens nunca serão monótonas! Se acontecer qualquer movimento estranho, ele vai logo querer saber o que é e infiltrará você junto para desvendar o problema;
22.Amam roupas leves e simples no dia a dia. Você não vai gastar muito dinheiro com isso;
23.Mas também sabem se arrumar bonitinhos para os eventos. Você terá um parceiro que sabe ser simples, mas também sabe arrasar. Tudo vai depender da ocasião;
24.A agenda é o seu melhor amigo. Mas, não fique com ciúmes! Pense pelo lado positivo, nunca vai esquecer nenhuma data importante, porque tudo fica rigorosamente descrito lá;
25.Eles não ficam irritados com “nãos”, afinal, estão acostumados com assessorias de imprensa que não querem divulgar os bafões. Você não terá um companheiro irritado, mas, em compensação ele não vai desistir até conseguir o que quer. Mas só de não ser grosso já vale, não é!?;
26.Como são antenados, também sempre ficam sabendo das novidades tecnológicas primeiro. Às vezes, até ganham de presente para testar a ferramenta. Você terá tudo em primeira mão na sua casa;
27.Eles não se importam com calor, chuva, trovões… afinal, precisam estar onde a notícia está! Você poderá ir na praia com 50 graus tranqüila ou aquela viagem dos sonhos pode se tornar um pesadelo no caos de São Paulo que ele não vai blasfemar. Ainda vai dar risada da situação;
28.Acham que podem salvar o mundo com uma matéria. Olha que sensibilidade!;
29.Eles sempre sabem tudo todo o tempo;
30.Gostam de música para acalmar;
31.Leem livros raros, histórias para crianças e semiótica… Seus filhos serão super dotados se depender dele;
32.Sua vida social é infinitamente grande. Você nunca poderá reclamar que não conhece gente nova;
33.Eles estão acostumados com coisas chatas e sabem contorná-las muito bem. O casamento nunca vai virar algo monótono;
34.Eles gostam de camisas com estampas de alguma brincadeira sobre algo atual. Suas amigas vão ficar com inveja do seu companheiro inteligente;
35.Eles sempre têm uma opinião sobre qualquer coisa na face da Terra. Durante uma conversa entre amigos, vocês nunca ficarão apagados;
36. A maioria gosta de virar psicólogo, técnico de futebol e médico às vezes. Você terá um companheiro mil e uma utilidades;
37.Por causa da profissão, são forçados a aprender mais de um idioma. Você vai ouvir “Eu te amo” em, pelo menos, umas três línguas diferentes;
38.A primeira coisa que seu filho vai aprender é que a informação é a alma do negócio. Com dois anos, sua fofurinha vai saber o que é aquecimento global, mercado financeiro e já saberá criticar políticos;
39.Gostam de mudar de cidade, estado e até de país. Você conhecerá muitos lugares!;
40.Assistem documentários e vão a museus o tempo todo, não importa o que seja. Ô cultura!
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sábado, 7 de maio de 2011
Como os Estados Unidos criaram Bin Laden*
Devaneado por: Marília Domingues às 18:02*Texto retirado do blog Tudo em Cima, que costumo ler para me informar sobre cinema, política, religião e outras coisas.
Acesse Tudo em Cima para outros textos e opiniões. Texto na íntegra.
A história proibida da aliança entre Washington e o homem que ordenaria os ataques de 11 de setembro
Por Antonio Martins* | Imagem: Dragão, de M.C. Escher (detalhe)
Ironicamente, a CIA, encarregada de conduzir a operação que liquidou Bin Laden, está estreitamente associada ao surgimento do terrorista. Pouco se falará a respeito, nos próximos dias, mas tanto o homem de barbas longas e olhar calmo quanto a própria Al Qaeda foram conscientemente criados pelos Estados Unidos, no contexto da disputa contra a União Soviética, na “guerra fria”.
Os fatos estão disponíveis em algumas publicações alternativas norte-americanas, entre as quais destacam-se, o site Z-Net, a revista The Nation. Para esta escreve Robert Fisk, um repórter veterano e especializado em questões de Oriente Médio. Ele fala com a autoridade de quem se encontrou várias vezes, na condição de jornalista, com Bin Laden.
A última delas, conta, foi em 1997, nas montanhas do Afeganistão. Avistou o saudita na pose e nos trajes em que aparece costumeiramente na imprensa ocidental. Roupas afegãs tradicionais, refestelado em sua caverna, ar tranqüilo. Bin Laden aparentou um conhecimento muito superficial sobre a situação do mundo. Atirou-se sobre o jornal que Fisk tinha consigo. Deu a entender que a leitura lhe trazia muitas novidades, mas abandonou a atividade depois de meia hora. Preferiu falar sobre sua crença na proteção que lhe seria assegurada por Alá. Relatou os muitos episódios em que, ao enfrentar os ocupantes soviéticos do Afeganistão, salvou-se porque os foguetes que foram atirados sobre seus esconderijos deixaram de explodir. Afirmou não temer a morte, porque “como muçulmano, acredito que, quando morremos em combate, vamos para o Paraíso”. Mas não deixou, nem por um instante, o abrigo em que se encontrava. Fisk registra: era “uma relíquia dos dias em que combateu os soviéticos: um nicho de oito metros de altura escavado na rocha, à prova até mesmo de ataques de mísseis”.
Em nome da vitória sobre os soviéticos, acordo com os extremistas
Num outro texto — um artigo analítico assinado por Dilip Hiro, intitulado “O custo da ‘vitória’ afegã” The Nation revive as circunstâncias da aliança que acabaria envolvendo Washington e Bin Laden. O cenário é o Afeganistão; a época, a última fase da Guerra Fria. Em 1979, um golpe militar havia levado ao poder grupos ligados à União Soviética (URSS). Anticomunista fervoroso, Zbigniew Brzezinsky, assessor de Segurança Nacional do então presidente Jimmy Carter, vislumbra uma oportunidade de passar da defesa ao ataque. Não quer apenas reinstalar em Kabul um governo aliado ao Ocidente. Pretende disseminar, entre as populações muçulmanas da URSS, um tipo de pensamento religioso capaz de incitá-las ao máximo contra o governo de Moscou. The Nation frisa: havia alternativas, mesmo para os que, como o assessor de Segurança Nacional, estavam empenhados em promover a Guerra Fria. Exitiam no Afeganistão “diversos grupos seculares e nacionalistas opostos aos soviéticos”. Ao invés de apoiá-los, no entanto, a Casa Branca parte para o que julga ser uma cartada genial. Impulsiona as organizações afegãs mais fundamentalistas, reunidas, desde 1983, na Aliança Islâmica do Mujahedin Afegão (IAAM, em inglês).
Os instrutores valorizam ao máximo a guerra santa (Jihad) contra Moscou. A Casa Branca quer matar dois coelhos com uma só paulada. A suposta defesa do islamismo contra os ateus soviéticos serve para consolidar, no Paquistão, o poder de Zia ul-Haq, fiel aliado do Ocidente. O terceiro elo da coalizão é a Arábia Saudita, onde outro governo pró-americano, embora muito rico, necessita de reforço ideológico. Ao longo de alguns anos, os príncipes sauditas serão convidados a “doar” 20 bilhões de dólares para a cruzada da IAAM. Através da CIA, os Estados Unidos comparecerão com mais US$ 20 bi. Os rios de dinheiro verde servirão para recrutar e formar guerrilheiros fanatizados e armá-los até os dentes. Fazem parte de seu arsenal mísseis anti-helicópteros que serão decisivos para enfrentar e vencer tanto o governo pró-URSS quanto as próprias tropas soviéticas, que, em favor de seu aliado, ocuparam o país em 1979.
Um milionário saudita adere a estranhos “lutadores da liberdade”
É esse clima de extremismo e intolerância suscitado por Washington que atrairá o saudita Osama bin Laden ao Afeganistão. No início dos anos 80, quando chegou ao país, ele era apenas o jovem herdeiro milionário de uma família de empresários do ramo da construção. Estava fascinado pela jihad patrocinada pelos EUA. Foi o primeiro saudita a aderir a ela, e levou consigo, ao longo do tempo, pelo menos 4 mil compatriotas. Tornou-se líder dos “voluntários” no Afeganistão. Aproximou-se dos dirigentes do IAAM, que, graças ao apoio recebido da Casa Branca, constituiriam anos depois o governo Taliban. Construiu abrigos reforçados para depósito de armas, participou de ações guerrilheiras. Jamais lhe faltou apoio moral do Ocidente. O repórter Robert Fisk relata: “Estava no Afeganistão em 1980, quando Laden chegou. Ainda tenho minhas notas de reportagem daqueles dias. Elas recordam que os guerilheiros mujahedin queimavam escolas e cortavam as gargantas das professoras, porque o governo tinha decidido formar classes mistas, com meninos e meninas. O Times de Londres os chamava de ‘lutadores da liberdade’. Mais tarde, quando os mujahedins derrubaram (com um míssil inglês Blowpipe) um avião civil afegão com tripulação e 49 passageiros, o mesmo jornal os chamou de ‘rebeldes’. Estranhamente, a palavra ‘terroristas’ nunca foi usada para qualificá-los”
A partir de 1989, com o colapso do governo pró-soviético no Afeganistão e da própria União Soviética, os “voluntários” começaram a voltar a seus países. Ao retornarem ao mundo árabe, explica Dilip Hiro, formaram um grupo à parte, que se tornou conhecido como os “afegãos”. Tinham marcas muito características. A intolerância e o desprezo pela vida humana eram os mesmos cultivados sob comando e por determinação consciente dos Estados Unidos. Haviam adquirido, nos anos da luta anti-soviética, alta capacitação em práticas terroristas. Eram, contudo, menos inexperientes do ponto de vista político. Passaram a observar que países como a Arábia Saudita e o Egito eram governados por elites tão submissas aos Estados Unidos quanto era subordinado aos soviéticos o governo afegão contra o qual lutaram.
A cobra volta-se contra o ninho em que se criou
A guerra do Golfo os voltou de vez contra Washington. Encerrada a campanha contra o Iraque, em 1991, a Casa Branca descumpriu a promessa de retirar da Arábia Saudita — país onde estão as cidades sagradas de Meca e Medina — as bases militares e os milhares de soldados mobilizados contra Saddan Hussein. Bin Laden e seus liderados lembraram que isso contraria a Sharia , lei islâmica. Em 1993, o rei Fahd, talvez o mais fiel aliado dos EUA no mundo árabe, ainda cortejou o milionário, chegando a ponto de nomeá-lo para um Conselho Consultivo real. Em 94, depois de novos desentendimentos, Bin Laden foi expulso da Arábia Saudita. Em 96, declarou uma jihad contra a presença norte-americana no país. Afirmou então que “expulsar o ocupante americano é o mais importante dever dos muçulmanos, depois do dever da crença em Deus”. Dois anos depois, uma declaração conjunta assinada por uma frente de organizações fundamentalistas formada por Bin Laden exortava: “A determinação de matar os americanos e seus aliados — civis e militares — é um dever individual para todo muçulmano que possa fazê-lo em qualquer país onde isso for possível, com objetivo de libertar de suas garras a Mesquita de Al-Aqsa [em Jerusalém] e a Mesquita Sagrada [Meca]. Isso está em consonância com as palavras de Deus todo poderoso”.
Em seu relato para The Nation, Robert Fisk lembra que Bin Laden não é o primeiro aliado com quem a Casa Branca se relaciona intimamente durante certo tempo, para mais tarde, quando já não necessita de seus serviços, acusá-lo — com ou sem motivos — de terrorista. Ele cita os casos de Saddan Hussein, visto como herói quando atacou com armas químicas o Irã; ou de Iasser Arafat, considerado “super-terrorista” quando liderava a luta pela libertação da Palestina e mais tarde “respeitável homem de Estado”, ao firmar com Israel acordos de paz jamais cumpridos.
Bastaria olhar para a América Latina para encontrar outros múltiplos exemplos de relações privilegiadas entre Washington e terroristas, praticantes de golpes de Estado, governantes tirânicos, corruptos, torturadores. Num outro sentido, menos direto, porém mais ameaçador, a aliança com o terror está, aliás, sendo reeditada neste exato momento. Bin Laden usa a opressão dos EUA e de Israel contra o mundo árabe como pretexto para justificar sua intolerância e atos criminosos. Todas as declarações dos governantes norte-americanos feitas após os atentados de 11 de setembro indicam que a Casa Branca pretendem apoiar-se no risco real do terror para desencadear uma ofensiva militar e política que, se não for barrada, transformará o planeta num local muito mais violento, antidemocrático e desigual. Talvez por isso, as sociedades tenham o direito de dizer que, contra a barbárie dos extremistas e do Império, a única saída é a construção de um mundo novo.
* As partes essenciais deste texto foram escritas em setembro de 2001 e publicadas no site Planeta Porto Alegre, cujos arquivos – recentemente resgatados pelo webmaster e midiativista Rafael Banto — estão disponíveis aqui
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quinta-feira, 21 de abril de 2011
#EUSOUGAY
Devaneado por: Marília Domingues às 05:00Palavrinhas campanha, Informação, Jornalismo
domingo, 17 de abril de 2011
Crepúsculo dos deuses (Sunset Boulevard)
Devaneado por: Marília Domingues às 12:43Época de mudança proporciona bons momentos entre velhos escritos. Hoje compartilho com vocês um artigo que escrevi sobre um filme que gosto muito do cinema noir.
Atenção: O texto abaixo contém spoilers
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